Vera Magalhães: Mito de pés de barro

14/01/2018 09:58
Vera Magalhães: Mito de pés de barro
- O Estado de S.Paulo
 
No primeiro percalço, Bolsonaro expôs ao País o material do qual é feito, mas idolatria persiste
 
Um conhecido aforismo conta que, certa feita, Nabucodonosor, rei da Babilônia, sonhou com uma estátua de um gigante cuja cabeça era feita em ouro, o tronco e os braços em prata e bronze, as pernas em ferro e os pés em barro. Uma pedra vinha e, atingindo os pés sensíveis, derrubava a estátua de uma vez. Chamou os sábios para interpretar o sonho e eles viram ali o destino não só do império, mas da humanidade.
 
Desde então a história vem sendo usada como alegoria daquilo que, parecendo sólido, se desmancha ao primeiro impacto. A história está cheia de ídolos de pés de barro, e volta e meia eles aparecem na política.
 
Geralmente falam grosso, fazem bravatas, ameaçam os que não se curvam, impressionam os incautos, mas não resistem ao mínimo choque, às vezes com seu próprio passado.
 
O “mito” (sic) da vez na política brasileira, Jair Bolsonaro, já permitia antever – sem a necessidade de sábios para desvendar nada – que continha em sua composição, se não todos os metais nobres da estátua do rei, ao menos o barro a lhe arrematar os pés. E bastou ser confrontado de leve por dois questionamentos básicos para um candidato – seu patrimônio e o uso que faz, como parlamentar, das verbas a que tem direito em seu mandato – para despencar do pedestal em que foi colocado por um eleitorado entre perplexo e revoltado com os rumos da política nos últimos anos.
 
Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Bolsonaro e os filhos experimentaram uma evolução patrimonial incompatível com o salário que amealharam com mandatos.
 
Em vez de explicar a aquisição dos imóveis, muito por valor bastante abaixo do mercado, o deputado fez aquilo que políticos tradicionais – aqueles mesmos dos quais ele tentava se diferenciar na base do gogó bravateiro – fazem: tergiversou, culpou a imprensa, distribuiu impropérios e ameaças, desmentiu o que não foi dito para calar sobre o que foi questionado. Em resumo: enrolou.
 
Diante da revelação de que usou auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo imóvel em Brasília, achou por bem responder aos repórteres que utilizou os recursos para “comer gente” na época em que estava solteiro.
 
Por fim, ao responder ao questionamento sobre o fato de ter funcionária em seu gabinete que trabalha em Angra dos Reis vendendo açaí e, segundo relatos, faz serviços em sua casa, enrolou, disse que o salário da moça era baixo e não soube explicar ao certo o que ela faz.
 
Por muito menos que um conjunto de fatos desse, revelado no intervalo de uma semana, o Bolsomito já teria esbravejado nas redes sociais contra adversários, exigido explicações, vociferado contra o mau uso dos recursos públicos e se pavoneado de ser diferente.
 
Quando é pilhado em práticas semelhantes, no entanto, Bolsonaro recorre aos super trunfos argumentativos de sempre: fez o que “todo mundo faz”, a imprensa o persegue, querem manchar o nome da família etc. Esse discurso é, sem tirar nem pôr, o mesmo de Lula, que usa a idolatria em torno de si para vitimizar-se nos processos a que responde.
 
Nada disso chega a surpreender quando se conhece a trajetória e o estilo do candidato. O espantoso é que uma parcela de seus seguidores ignore qualquer questionamento em nome da manutenção da mitologia em torno do “escolhido”.
 
É desalentador constatar que mesmo depois do petrolão, do mensalão e da queda em série de políticos em escândalos de corrupção, alguns deles “mitos” como Lula, uma parcela do eleitorado brasileiro esteja
 

Notícias

17/10/2018 19:54
São Lucas, uma figura simpática do Cristianismo primitivo São Lucas era uma figura simpática do...
17/10/2018 16:14
PESQUISA CRUSOÉ: INTERNET EMPATA COM TV COMO MEIO DE INFORMAÇÃO DOS ELEITORES A internet é o...
17/10/2018 16:11
JOGADA DE LULA É SE DESCOLAR DA DERROTA DE HADDAD Quando orientou o candidato do PT a presidente...
17/10/2018 13:47
Audiência: não amar é o primeiro passo para matar Como na semana passada, Francisco aprofundou a...
17/10/2018 13:41
Bolsonaro visita arcebispo do Rio e assina compromisso com valores conservadores Candidado do PSL...
16/10/2018 19:40
Para Onyx Lorenzoni, colostomia justifica ausência de Bolsonaro em debates Jornal do Brasil -...
16/10/2018 19:29
Igreja Ortodoxa Russa rompe com o Patriarcado de Constantinopla Os membros do Santo Sínodo da...
16/10/2018 19:24
Bolsonaro diminuirá intermediação com o Governo do Piauí, diz Fábio Sérvio Por Portal O Dia...
16/10/2018 17:02
Bolsonaro chega a 71,2% no Distrito Federal, mostra levantamento do Correio O candidato do PSL é...
16/10/2018 16:54
Chineses terão 20% de refinaria do Comperj, diz Petrobras Comperj foi alvo de investigações da...
16/10/2018 14:12
Bolsonaro diz que se eleito extraditará o ex-ativista italiano Cesare Battisti Jornal do Brasil O...
16/10/2018 13:58
Papa: é possível sonhar um mundo sem fome. Falta vontade política “Podemos sonhar um futuro sem...
15/10/2018 22:12
Santa Margarida Maria Alacoque, devota do Sagrado Coração de Jesus Santa Margarida Maria Alacoque,...
15/10/2018 21:55
Eleições 2018 - Ibope: Bolsonaro tem 59% dos votos válidos; Haddad, 41% Por Redação -...
15/10/2018 17:58
CNBB presta homenagem aos professores do Brasil Por CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do...
15/10/2018 15:03
Declaração, em tom de brincadeira, foi feita em visita ao Bope no Rio   Por Vitor Abdala...
15/10/2018 15:00
O Papa apresenta à Secretaria de Estado o novo Substituto No seu primeiro dia como Substituto para...
15/10/2018 13:36
Bolsonaro afirma que vai resgatar o respeito em sala de aula A 13 dias do segundo turno das...
15/10/2018 12:54
Plano de Bolsonaro une criação de creche e ensino religioso Direcionado para famílias pobres, com...
15/10/2018 12:19
Santa Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) Santa Teresa de Ávila, conseguiu recuperar o fervor...

Contato

Jornalista Josenildo Melo Teresina - Piauí - Brazil WhatsApp : 86 99513 2539 josenildomelo@yahoo.com